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ENSAIOS

de escrita, culinária, economia e finanças, bem-estar e reflexões sobre parentalidade

O abacate

  • Foto do escritor: Juliana Machado
    Juliana Machado
  • 23 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Atualizado: 14 de set. de 2024

As preferências pessoais e os absolutos da vida.

Eu não gosto de abacate, nunca gostei, acho que nunca vou gostar.

Não gosto do cheiro, da cor, da textura, pode ser doce ou salgado, ele puro, batido ou em alguma receita. É um desgosto por completo, coitado.


Essa história começou muito cedo.

Reza a lenda familiar que, diante da minha resistência ainda bem menina, fui testada com rigores científicos pelo meu pai por diversas vezes, em idades diferentes. Ao fim, ele concluiu pela avaliação estatística e apriorística: é, parece que a danada da menina não gosta mesmo de abacate...

Aí ninguém mais me aperreou com a fruta. Ela estava sempre lá por casa, é uma preferência geral, eu só não comia e nem passava perto se alguém estivesse comendo. É que não é só um não gostar simples, sabe? É mal-estar de verdade mesmo!


Quem me conhece desses tempos já sabe: não me oferte o dito cujo por que eu vou recusar na cara dura.


Não me leve a mal, eu sei que ele é maravilhoso, cheio de vitaminas, nutrientes e gorduras boas e eu sei que tem comida que a gente simplesmente não recusa e come como se fosse remédio, mas esse aí não rola para mim não.

Ou não rolava...


Passei a vida assim e, apesar de ter mudado muita coisa em termos de alimentação, achei que essa fronteira eu não atravessaria por que a resistência persistia. E fui vivendo assim até alguém me apresentar a guacamole. Aí, meus amigos, aí tudo mudou!


O que posso dizer? Junte o abacate nessa mistura mexicana e aí eu me acabo de comer! Veja, não é que eu aceite comer a guacamole - é que eu amo guacamole! E não é que eu não sinta o gosto do abacate, eu sinto sim - mas por algum capricho do meu paladar ele abacate nela guacamole não me incomoda. Vai entender...


Essa experiência foi definidora de rumos para mim, me possibilitou me abrir mais para outros testes, experiências e quem saber mudar aspectos de mim mesma que eu até então achava impossível. Sim porque se até a certeza absoluta e vida longa sobre o abacate eu revi, o que mais na vida não seria tão absoluto assim e eu poderia repensar?


E muita coisa mudou desde que a guacamole entrou na minha vida, outras não mudaram tanto e várias outras ainda estão em processo de talvez mudança, seja na culinária ou em qualquer outro campo. O importante é que agora estou mais aberta e atenta às possibilidades, os absolutos perderam um bom bocado o espaço, especialmente se isso significa ampliar meus prazeres e dotes culinarísticos/ gastronômicos.


Mas tem uma coisa que não mudou: eu não gosto de abacate, nunca gostei, acho que nunca vou gostar.

Vai entender...


E você? Tem muitos abacates na sua vida ou você já está na turma da guacamole?

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